quinta-feira, junho 21, 2012

'Lula deve ter percebido o fora que ele deu', afirma Erundina

Mariana OliveiraDo G1, em Brasília
A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) afirmou nesta quarta (20), em Brasília, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um "fora" ao negociar uma aliança eleitoral com o PP e ao se deixar fotografar cumprimentando o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), presidente estadual do partido em São Paulo.
Erundina desistiu de disputar a eleição municipal como vice de Fernando Haddad, pré-candidato do PT, devido ao acordo com Maluf, de quem é rival. Na última segunda, Lula e Haddad participaram de um almoço com Maluf e posaram para fotógrafos e cinegrafistas nos jardins da casa do deputado.
"O Lula é sensitivo, tem sensibilidade, é intuitivo. Nessas alturas, ele já deve ter lido o que falei. Com certeza, Lula já deve ter percebido o fora que ele deu [ao fazer fotos com Maluf]", afirmou a deputada. A assessoria do ex-presidente afirmou que ele não vai comentar as declarações da deputada.
A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) caminha na esteira rolante do anexo 4 da Câmara (Foto: André Dusek / Agência Estado)A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) nesta quarta, na esteira rolante do anexo 4 da Câmara dos Deputados (Foto: André Dusek / Agência Estado)
Apesar da crítica, ela disse que não pode "responsabilizar" o ex-presidente pela aliança com Maluf. "Não posso responsabilizar o ex-presidente pela sua posição. Ele deve ter sua razões. Não quero julgar. Mas o fato em si [foto com Maluf] contribuiu para a minha decisão."
Erundina disse que o PT cedeu à "exigência" de Maluf de uma aparição pública ao lado de Lula.
"Ele [Maluf] fez um cálculo. Exigiu que Lula fosse lá. Isso foi o que eu li. Já acho absurso, osso duro de roer, eventualmente ter que tê-lo na coligação. Acho que não tinha... um minuto na TV, o tempo que fosse, não justifica. É preço alto que se paga. Ainda por cima ceder a essa exigência", declarou em entrevista nesta quarta.
Apesar disso, a  deputada negou que a principal motivação da decisão dela tenha sido a "forma" pela qual a aliança foi apresentada. Para ela, Maluf tenta se "higienizar" ao aparecer ao lado de Lula.
"Não é a forma. É a posição dessa força dentro da campanha. Ele [Maluf] mesmo está dizendo: 'Olha, eu vou aparecer na campanha eleitoral'. Ele que está dizendo. Ele quer aparecer com outra imagem, que não é aquela de que está sendo procurado pela Interpol. Ele se higieniza", declarou.
Erundina disse que, quando aceitou ser vice, ninguém havia falado sobre aliança com PP ou Maluf.
"Domingo à noite eu estive com o candidato. Longas horas, muita reflexão política. Eu manifestei a ele a inconveniência dessa aliança, e ele me disse que não tinha nada de concreto. [...] Ele [Haddad] minimizou a importância dessa aliança e não colocou nada que pudesse concretizar o que se comprovou [aliança do PT com Maluf]."
Segundo Erundina, ela e Maluf são "óleo e água". "Não é questão pessoal. É questão política. Ele é muito expansivo, até demais. Ele tenta passar sempre intimidade. Eu convivo bem com a figura. Agora, politicamente, é um desastre", declarou.
A deputada também apontou como outro motivo para ter deixado a candidatura a vice na chapa de Haddad as relações de Maluf com o regime militar.
Um minuto na TV, o tempo que fosse, não justifica. É preço alto que se paga. Ainda por cima ceder a essa exigência [foto com Maluf]"
Deputada Luiza Erundina (PSB-SP)
"Num momento em que estamos buscando a verdade sobre crimes da ditadura militar, fazer justiça ao período em que essa figura [Maluf] foi figura de ponta na ostentação desse regime e construiu cemitérios para desovas de corpos de militantes de esquerda... [...] O cemitério [de Perus, em São Paulo] foi construído, e Maluf teve responsabilidade, ajudando a ditadura militar a esconder seus crimes. Conviver com essa pessoa não dá. Muito menos fazer política com ele", afirmou.
G1 fez contato com a assessoria do deputado Paulo Maluf e aguarda resposta.
Campanha de Haddad
Erundina afirmou que, embora tenha decidido retirar o nome da chapa, ajudará na campanha de Fernando Haddad.

"Com certeza não aparecerei junto com Maluf, mas estarei na campanha. [...] Me colocarei à disposição de meu partido para uma agenda que não deve ter o constrangimento de encontrar com essa pessoa."
Questionada se não haveria incoerência no apoio a Haddad em uma aliança na qual estará Maluf, ela disse que isso seria "valorizar muito a presença dele" no projeto.

Luiza Erundina disse quer que Maluf também vai pleitear espaço no governo, "Não quer só aparecer junto, mas vai querer ter poder real na gestão pública. Isso é mais um inconveniente. É uma das razões pelas quais não dá para aceitar a aliança com essa força. Reforça ainda mais a inconveniência de se aliar a essa força."

'Não serei nunca neutra'
A deputada afirmou que, ao recuar do posto de vice, não optou pela neutralidade, porque "a neutralidade sempre serve a alguém". "Não serei nunca neutra nem omissa na política."

Disse ainda que não poderia optar por apoiar outro candidato que não Haddad. "Não tem nenhum candidato que mereça - desculpa, mereça é muita pretensão - que me identifique.
"

quarta-feira, junho 20, 2012

Erundina: Lula passou dos limites ao formar aliança com Maluf

 Agencia Nacional



A deputada Luiza Erundina deixa  o cargo de vice-prefeita na chapa de Fernando Haaddad doPT, por ter sido atropelada por Lula. Quem ele(Lula) pensa que é? Afirmou Luiza Erundina do (PSB-SP) ela disse  que fará campanha para o candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, mas não participará das agendas em que o presidente estadual do PP, deputado Paulo Maluf, estiver presente. A deputada disse nesta quarta-feira que recebeu muitos elogios por ter desistido da chapa com Haddad devido à aliança com Maluf. Indagada se Lula passou dos limites ao articular o acordo para ampliar o tempo de TV, ela respondeu:
Em entrevista coletiva no início da tarde desta quarta-feira, ela afirmou que Maluf tira credibilidade de Haddad devido à sua participação na ditadura militar, por ser procurado pela Interpol e pelo que ele representa, segundo Erundina, para a política brasileira. A deputada não poupou o ex-presidente Lula pela foto tirada na casa de Maluf, selando a aliança, e criticou o pragmatismo eleitoral petista. Ela reconheceu saber da possibilidade de aliança com o PP, mas não imaginava que seria tão explícita.- Eu acho. Aquilo lá foi ruim. O preço foi alto por uma coisa pequena. Eu acho que a mídia é importante, mas não determina de forma absoluta o processo eleitoral.
- Você vai na casa de alguém quando tem intimidade com ela. Eu não acho que o Lula tenha respeito por Maluf nem vice-versa. O tempo de TV é importante, mas não a ponto de sacrificar uma história - disse Erundina, acrescentando: - Aquele encontro foi inadequado pelo simbolismo que aquela figura representa na política de São Paulo e brasileira.
A deputada afirmou que foi um momento "delicado" a decisão de desembarcar da chapa petista, mas resumiu:
- Conviver com essa pessoa (Maluf) não dá.
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) apareceu para dar um abraço em Erundina no meio da entrevista, simbolizando os petistas que também não estão satisfeitos com essa aliança eleitoral. Depois de quase uma hora de coletiva falando de Maluf, Erundina caiu em si:
- A gente está perdendo muito tempo falando no Maluf - disse.
Mais cedo, ao chegar na Câmara, ela disse que, ao deixar a chapa do PT, atendeu aos apelos da sociedade.
- Nós precisamos estar atentos ao que a sociedade sinaliza, ao que a sociedade acha das atitudes de seus representantes – disse Erundina, completando:
- A militância estava muito empolgada, mobilizada, muito a fim de levar a campanha. Foi uma pena, mas em todo caso vamos levar em frente. Temos que fazer do limão uma limonada.
Na opinião da deputada, a decisão pode enfraquecer a candidatura de Haddad.
- Poderá enfraquecer. Criou-se um clima de perplexidade entre a militância, um desconforto. A militância petista tem exigências, não são indiferentes ao que seus dirigentes decidem.
A decisão de Erundina foi anunciada ontem no final da tarde. O comunicado foi feito pelo presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, após uma reunião dos dirigentes do partido com Erundina.
Marco Maia diz que Erundina deveria rever decisão
No Rio de Janeiro, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, disse nesta quarta-feira que a deputada Luisa Erundina deveria reavaliar a decisão dela de ter deixar a chapa do candidato do PT, Fernando Haddad, à Prefeitura de São Paulo.
- Ele deveria reavaliar a opinião dela. É o que eu sempre digo: é preferível que se faça um conjunto de alianças em cima de um projeto que permita ganhar a eleição para administrar bem para o povo do que se afastar dessa possibilidade e não fazer essas transformações na cidade de São Paulo - disse antes de participar da abertura oficial da Rio+20.
Segundo o presidente da Câmara, Erundina e o PSB precisam estar juntos do PT para fazer o que ele chamou de "transformação radical" em São Paulo.
- Precisamos fazer uma transformação radical na estrutura dessa cidade. E por isso, o PT precisa fazer as alianças necessárias que garantam essas mudanças e essas transformações. A Erundina e o PSB precisam estar juntos conosco neste projeto - afirmou Marco Maia.
Marco Maia diz que não vê problemas em fazer aliança com Maluf, já que o PT é coligado com o partido nacionalmente. Mas considerou lamentável a saída de Erundina da chapa.
- É obvio que é lamentável. A deputada é séria, comprometida com as questões sociais. Ela dialoga e muito com o projeto do PT. Já foi prefeita de São Paulo e tem uma base eleitoral fantástica.


terça-feira, junho 19, 2012

PERDEMOS UM BOM AMIGO MORREU O EX-VEREADOR ALDIVAN JOSÉ DA COSTA HONORATO

Morando em Natal há mais de 20 anos, Aldivam José da Costa Honorato tinha suas raízes em nosso meio. Em Mossoró, estudou, fez carreira no Banco do Brasil, onde se aposentou, foi radialista, poeta popular com inúmeros trabalhos publicados e alguns até impressos e foi vereador por duas legislaturas. Em Martins, sua cidade natal, ele também fez carreira política, tendo exercido por dois períodos outros dois mandatos, nos acompanhou quando assoramos o deputado federal Flávio Rocha. Estava com 69 anos de vida, foi um homem que por onde passou deixou a sua marca. No domingo passado seu coração parou por volta das 15h. E o seu sepultamento se deu ontem, no Cemitério Morada da Paz, nas cercanias de Natal. Mossoró e Martins lhe deve muitas homenagens e fica aqui o nosso preito de saudade e gratidão a este bom amigo. 

segunda-feira, junho 18, 2012

ACREDITE É VERDADE Maluf oficializa apoio ao PT em encontro com Lula e Haddad



Lula aperta a mão de Maluf durante encontro com Haddad em SP (Foto: Moacyr Lopes Junior/Folhapress)Lula aperta a mão de Maluf durante encontro com Haddad em SP (Foto: Moacyr Lopes Junior/Folhapress)
O deputado federal Paulo Maluf realizou encontro nesta segunda-feira (18) para oficializar a adesão do Partido Progressista (PP) à chapa do pré-candidato Fernando Haddad (PT). Tanto o candidato petista quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participaram do encontro, que começou por volta das 13h e durou cerca de 30 minutos.
O evento foi realizado na residência de Maluf, no Jardim Europa, região nobre da capital paulista. Lula saiu sem dar entrevista."O presidente Lula, apesar de recomendações médicas de não falar, de não atender a nenhum evento - não foi inclusive ao evento do PSB, por recomendações médicas...Quero agradecer a presença dele na minha casa", disse Maluf.

Acompanhado por Haddad, Maluf  falou com os jornalistas no portão de sua casa. "Política é como futebol. Quem é palmeirense não gosta do Corinthians, quem é corintiano não gosta do Palmeiras e pode alguém não gostar de mim. Mas ninguém pode dizer que Paulo Maluf como ex-governador e ex-prefeito não conhece como ninguém os problemas da cidade de São Paulo", disse o ex-prefeito. "Quem tem as melhores condições de resolver esse problema é um candidato que tenha parceria com o governo federal", complementou.

Maluf afirmou que não existe mais esquerda e direita. "Hoje teve eleição na França. Perdeu Sarkozy e venceu Hollande. Se você vai em Paris e pergunta, você é de esquerda ou de direita, ele diz: 'isso é sinal de trânsito'. A esquerda está na Rússia? Na China que não tem direitos humanos, em Cuba, que deporta seus boxeadores? Ou você é eficaz e produtivo ou o povo te manda democraticamente para casa. Aqui tem democracia, graças a Deus, e vai ter com Fernando Haddad", afirmou.

Maluf e Haddad em encontro em SP (Foto: Epitácio Pessoa/Agência Estado)
Maluf e Haddad em encontro em São Paulo
(Foto: Epitácio Pessoa/Agência Estado)
Haddad afirma que compreende as críticas a Maluf, mas afirma que hoje  o PT tem um projeto político no país que está dando certo.

"Há 20, 24 anos atrás nós tínhamos um contexto em que as coisas se comportavam de uma determinada maneira. Hoje nós temos um projeto político no país que está dando certo. Temos um projeto político, que em um terceiro mandato, conta com apoio do PP. O PP coordena o Ministério das Cidades", afirmou Haddad.

De acordo com assessores dos partidos, a estimativa é que o PP acrescente mais de 1 minuto e 30 segundos ao programa eleitoral de Haddad.

Maluf afirma que a parceria estratégica do PP com o PT se deve à participação de seu partido no Ministério das Cidades, desde 2004. Ele negou que isso inclua participação do PP em um eventual governo Haddad. Maluf disse que estará à disposição para colaborar na campanha. "No palanque eletrônico, se ele me convidar, estarei aqui". 

O ex-prefeito de São Paulo elogiou Luiza Erundina e Marta Suplicy, ex-prefeitas e adversárias históricas.  "Tenho muito respeito pela ex-prefeita Erundina, pela ex-prefeita Marta. Cada um no seu tempo fez coisas boas. Eu sucedi Luiza Erundina. Ela foi uma boa prefeita, correta, decente. Tanto é que vocês viram que não houve, na sucessão, nenhum tipo de perseguição. A Marta foi uma boa prefeita, fez os Ceus. Eu fiz a minha parte. Não devemos olhar pelo retrovisor. Devemos olhar pelo para-brisas. Quem olha para trás não olha para frente."

Maluf  disse que a conversa com o ex-presidente foi 'excepcionalmente boa". Para Maluf, Lula como presidente 'veio sob suspeição de muitos, mas ele foi o presidente que ajudou as empresas, ajudou a gerar empregos, ajudou os pobres e se os bancos brasileiros estão em situação melhor do que os bancos europeus e norte-americanos é graças à clarividência do presidente Lula, que pode se inscrever entre os melhores presidentes da República que o Brasil teve."

À tarde, o apoio foi formalizado durante encontro de Maluf e Haddad com as executivas municipal e estadual do PP, na Rua dos Ingleses, na Bela Vista. Maluf pediu a militantes históricos como os vereadores Wadih Mutran e Átila Russomanno (irmão do candidato a prefeito Celso Russomanno, do PRB) empenho na campanha.

"Quem vota em Fernando Haddad não vota nem no PP, nem no PT e nem no PCdoB, nem nos partidos. Quem vota nele, vota em São Paulo. Wadih Mutran, você é  nosso credor, Áttila Russomanno, eleger Fernando Haddad é eleger com mais facilidade a solução dos problemas de São Paulo", disse o ex-prefeito.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, explicou de que forma o apoio de Maluf pode contribuir na campanha de Haddad. "Ajuda porque é um partido aliado, porque traz tempo de TV, porque traz mais gente para a campanha. É um conjunto de forças que vai fazer essa campanha", afirmou.

Maluf não quis comentar a relação do PP com o PSDB em São Paulo após a sua decisão de apoiar Haddad.  "Eu fiz a minha opção por uma parceria estratégica com o governo federal. O PP tem a mais importante pasta do governo federal e nós estamos na base do governo federal. Eu acho que os problemas de São Paulo só serão resolvidos com uma parceria", disse Maluf.

Erundina, vice
Na sexta-feira (15), o Partido Socialista Brasileiro (PSB) anunciou oficialmente que participara da chapa encabaçada pelo PT e confirmou o nome da ex-prefeita e deputada federal Luiza Erundina como a vice de Fernando Haddad.

Na semana passada, Haddad havia afirmado que o PP "é bem-vindo" na reprodução, em São Paulo, da mesma aliança que dá sustentação no Congresso ao governo Dilma
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domingo, junho 17, 2012

Relato de Dilma sobre torturas repercute internacionalmente

A presidente Dilma Vana Rousseff foi torturada nos porões da ditadura em Juiz de Fora, Zona da Mata mineira, e não apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro, como se pensava até agora. Em Minas, ela foi colocada no pau de arara, apanhou de palmatória, levou choques e socos que causaram problemas graves na sua arcada dentária. É o que revelam documentos obtidos com exclusividade pelo Estado de Minas , que até então mofavam na última sala do Conselho dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG). As instalações do conselho ocupam o quinto andar do Edifício Maletta, no Centro de Belo Horizonte. Um tanto decadente, sujeito a incêndios e infiltrações, o velho Maletta foi reduto da militância estudantil nas décadas de 1960 e 70.

Perdido entre caixas-arquivo de papelão, empilhadas até o teto, repousa o depoimento pessoal de Dilma, o único que mereceu uma cópia xerox entre os mais de 700 processos de presos políticos mineiros analisados pelo Conedh-MG. Pela primeira vez na história, vem à tona o testemunho de Dilma relatando todo o sofrimento vivido em Minas na pele da militante política de codinomes Estela, Stela, Vanda, Luíza, Mariza e também Ana (menos conhecido, que ressurge neste processo mineiro). Ela contava então com 22 anos e militava no setor estudantil do Comando de Libertação Nacional (Colina), que mais tarde se fundiria com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), dando origem à VAR-Palmares.

As terríveis sessões de tortura enfrentadas pela então jovem estudante subversiva já foram ditas e repisadas ao longo dos últimos anos, mas os relatos sempre se referiam ao eixo Rio-São Paulo, envolvendo a Operação Bandeirantes, a temida Oban de São Paulo, e a cargeragem na capital fluminense. Já o episódio da tortura sofrida por Dilma em Minas, onde, segundo ela própria, exerceu 90% de sua militância durante a ditadura, tinha ficado no esquecimento. Até agora.

Com a palavra, a presidente: “Algumas características da tortura. No início, não tinha rotina. Não se distinguia se era dia ou noite. Geralmente, o básico era o choque”. Ela continua: “(...) se o interrogatório é de longa duração, com interrogador experiente, ele te bota no pau de arara alguns momentos e depois leva para o choque, uma dor que não deixa rastro, só te mina. Muitas vezes usava palmatória; usaram em mim muita palmatória. Em São Paulo, usaram pouco este ‘método’”.

'As marcas da tortura sou eu'
"As marcas da tortura sou eu"


Bilhetes Dilma foi transferida em janeiro de 1972 para Juiz de Fora, ficando presa possivelmente no quartel da Polícia do Exército, a 4ª Companhia da PE. Nesse ponto do depoimento, falham as memórias do cárcere de Dilma e ela crava apenas não ter sido levada ao Departamento de Ordem e Política Social (Dops) de BH. Como já era presa antiga, a militante deveria ter ido a Juiz de Fora somente para ser ouvida pela auditoria da 4ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM). Dilma pensou que, como havia ocorrido das outras vezes, estava vindo de São Paulo a Minas para a nova fase do julgamento no processo mineiro. Chegando a Juiz de Fora, porém, ela afirma ter sido novamente torturada e submetida a péssimas condições carcerárias, possivelmente por dois meses.

Nesse período, foi mantida na clandestinidade e jogada em uma cela, onde permaneceu na maior parte do tempo sozinha e em outra na companhia de uma única presa, Terezinha, de identidade desconhecida. Dilma voltou a apanhar dos agentes da repressão em Minas porque havia a suspeita de que Estela teria organizado, no fim de 1969, um plano para dar fuga a Ângelo Pezzuti, ex-companheiro da organização Colina, que havia sido preso na ex-Colônia Magalhães Pinto, hoje Penitenciária de Neves. Os militares haviam conseguido interceptar bilhetinhos trocados entre Estela (Stela nos bilhetes, codinome de Dilma) e Cabral (Ângelo), contendo inclusive o croqui do mapa do presídio, desenhado à mão.

Seja por discrição ou por precaução, Dilma sempre evitou falar sobre a tortura. Não consta o depoimento dela nos arquivos do grupo Tortura Nunca Mais, nem no livro Mulheres que foram à luta armada, de Luiz Maklouf, de 1998. Só mais tarde, em 2003, ele conseguiria que Dilma contasse detalhes sobre a tortura que sofrera nas prisões do Rio e de São Paulo. Em 2005, trechos da entrevista foram publicados. Naquela época, a então ministra acabava de ser indicada para ocupar a Casa Civil.

O relato pessoal de Dilma, que agora se torna público, é anterior a isso. Data de 25 de outubro de 2001, quando ela ainda era secretária das Minas e Energia no Rio Grande do Sul, filiada ao PDT e nem sonhava em ocupar a cadeira da Presidência da República. Diante do jovem filósofo Robson Sávio, que atuava na coordenação da Comissão Estadual de Indenização às Vítimas de Tortura (Ceivt) do Conedh-MG, sem remuneração, Dilma revelou pormenores das sessões de humilhação sofridas em Minas. “O estresse é feroz, inimaginável. Descobri, pela primeira vez, que estava sozinha. Encarei a morte e a solidão. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente pelo resto da vida”, disse.

Humilde Apesar de ser ainda apenas a secretária das Minas e Energia, a postura de Dilma impressionou Robson: “A secretária tinha fama de durona. Ela já chegou ao corredor com um jeito impositivo, firme, muito decidida. À medida que foi contando os fatos no seu depoimento, ela foi se emocionando. Nós interrompemos o depoimento e ela deixou a sala com uma postura diferente em relação ao momento em que entrou. Saiu cabisbaixa”, conta ele, que teve três dias de prazo para colher sete depoimentos na capital gaúcha. Na avaliação de Robson, Dilma teve uma postura humilde para a época ao concordar em prestar depoimento perante a comissão. “Com ou sem o depoimento dela, a comissão iria aprovar a indenização de qualquer jeito, porque já tinha provas suficientes. Mas a gente insistia em colher os testemunhos, pois tinha a noção de estar fazendo algo histórico”, afirma o filósofo.
 Dilma chorou. Essa é uma das lembranças mais vivas na memória do filósofo Robson Sávio, que, ao lado de uma outra voluntária do Conselho de Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG), foi ao Rio Grande do Sul coletar o testemunho da então secretária de Minas e Energia daquele estado sobre a tortura que sofrera nos anos de chumbo. Com fama de durona, moradora do Bairro da Tristeza, Dilma tirou a máscara e voltou a ter 22 anos de idade. Revelou, em primeira mão, que as torturas físicas em Juiz de Fora foram acrescidas de ameaças de dano físico deformador: “Geralmente me ameaçavam de ferimentos na face”.

Não eram somente ameaças. Segundo fez constar no depoimento pessoal, Dilma revelou, pela primeira vez, ter levado socos no maxilar, que podem explicar o motivo de a presidente ter os dentes levemente projetados para fora. “Minha arcada girou para outro lado, me causando problemas até hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente se deslocou e apodreceu”, disse. Para passar a dor de dente, ela tomava Novalgina em gotas, de vez em quando, na prisão. “Só mais tarde, quando voltei para São Paulo, o Albernaz (o implacável capitão Alberto Albernaz, do DOI-Codi de São Paulo) completou o serviço com um soco, arrancando o dente”, completou.


Mais tarde, durante a campanha presidencial, em 2009, Dilma faria pelo menos três correções de ordem estética para se candidatar, que incluíram uma plástica facial, a troca dos óculos por lentes de contato e a chance de, finalmente, realinhar a arcada dentária. Na mesma época, Dilma combateu e venceu um câncer no sistema linfático. Guerreira, a presidente suavizou as marcas deixadas pelo passado na pele. Não tocou, porém, nas marcas impressas na alma. “As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim”, definiu Dilma, em 2001, no depoimento emocionado à comissão mineira, 11 anos antes de ser criada a Comissão Nacional da Verdade, em maio, 13 anos depois da Constituição Cidadã de 1988.

General Sylvio Frota passa a tropa em revista no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte: militar colocou Dilma na lista dos infiltrados no poder público
General Sylvio Frota passa a tropa em revista no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte: militar colocou Dilma na lista dos infiltrados no poder público


Fuga pela Rua Goiás
“Eu comecei a ser procurada em Minas Gerais nos dias seguintes à prisão de Angelo Pessuti. Eu morava no Edifício Solar, com meu marido, Cláudio Galeno de Magalhães Linhares, e numa noite, no final de dezembro de 1968, o apartamento foi cercado e conseguimos fugir, na madrugada. O porteiro disse aos policiais do DOPS de Minas Gerais que não estávamos em casa. Fugimos pela garagem que dá para a rua do fundo, a Rua Goiás”

Ligações com Angelo
“Fui interrogada dentro da Oban por policiais mineiros que interrogavam sobre processo na auditoria de Juiz de Fora e estavam muito interessados em saber meus contatos com Angelo Pessuti, que, segundo eles, já preso, mantinha comigo um conjunto de contatos para que eu viabilizasse sua fuga. Eu não tinha a menor ideia do que se tratava, pois tinha saído de BH no início de 1969 e isso era no início de 1970. Desconhecia as tentativas de fuga de Angelo Pessuti, mas eles supuseram que se tratava de uma mentira, talvez uma das coisas mais difíceis de você ser no interrogatório é inocente. Você não sabe nem do que se trata”

Local da tortura
“Acredito hoje ter sido por isto que fui levada no dia 18 de maio de 1970 para MG, especificamente para Juiz de Fora, sob a alegação de que ia prestar esclarecimentos no processo que ocorria na 4ª CJM. Mas, depois do depoimento, eu fui levada (ou melhor, teria de ser levada para SP), mas fui colocada num local (encapuzada) que sobre ele tinha várias suposições: ou era uma instalação do Exército ou Delegacia de Polícia. Mas acho que não era do Exército, pois depois estive no QG do Exército e não era lá”

“Nesse lugar fiquei sendo interrogada sistematicamente. Não era sobretudo sobre minha militância em MG. Supuseram que, tendo apreendido documentos do Ângelo (Pessuti) que integram o processo, achavam que nossa organização tinha contatos com a PM ou PC mineira que possibilitassem fugas de presos. Acredito ter sido por isso que a tortura foi muito intensa, pois não era presa recente; não tinha ‘pontos’ e ‘aparelhos’ para entregar”

Dente podre
“Uma das coisas que me aconteceu naquela época é que meu dente começou a cair e só foi derrubado posteriormente pela Oban. Minha arcada girou para outro lado, me causando problemas até hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente deslocou-se e apodreceu. Tomava de vez em quando Novalgina em gotas para passar a dor. Só mais tarde, quando voltei para SP, o Albernaz (capitão Alberto Albernaz) completou o serviço com um soco, arrancando o dente”

Pau-de-arara
“...Algumas características da tortura. No início, não tinha rotina. Não se distinguia se era dia ou noite. O interrogatório começava. Geralmente, o básico era choque. Começava assim: ‘em 1968 o que você estava fazendo?’ e acabava no Angelo Pessuti e sua fuga, ganhando intensidade, com sessões de pau-de-arara, o que a gente não aguenta muito tempo”

Palmatória
“Se o interrogatório é de longa duração, com interrogador ‘experiente’, ele te bota no pau-de-arara alguns momentos e depois leva para o choque, uma dor que não deixa rastro, só te mina. Muitas vezes também usava palmatória; usava em mim muita palmatória. Em SP usaram pouco esse ‘método’. No fim, quando estava para ir embora, começou uma rotina. No início, não tinha hora. Era de dia e de noite. Emagreci muito, pois não me alimentava direito”

Reportagem do jornal Estado de Minas que noticiou o julgamento em Juiz de Fora (Dilma aparece no banco dos réus, no alto à direita)  (Reprodução/EM)
Reportagem do jornal Estado de Minas que noticiou o julgamento em Juiz de Fora (Dilma aparece no banco dos réus, no alto à direita)


Tortura psicológica
“Tinha muito esquema de tortura psicológica, ameaças. Eles interrogavam assim: ‘me dá o contato da organização com a polícia?’ Eles queriam o concreto. ‘Você fica aqui pensando, daqui a pouco eu volto e vamos começar uma sessão de tortura’. A pior coisa é esperar por tortura”
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Ameaças
“Depois (vinham) as ameaças: ‘Eu vou esquecer a mão em você. Você vai ficar deformada e ninguém vai te querer. Ninguém vai saber que você está aqui. Você vai virar um ‘presunto’ e ninguém vai saber’. Em SP me ameaçaram de fuzilamento e fizeram a encenação. Em Minas não lembro, pois os lugares se confundem um pouco”

Sequelas
“Acho que nenhum de nós consegue explicar a sequela: a gente sempre vai ser diferente. No caso específico da época, acho que ajudou o fato de sermos mais novos; agora, ser mais novo tem uma desvantagem: o impacto é muito grande. Mesmo que a gente consiga suportar a vida melhor quando se é jovem, fisicamente, a médio prazo, o efeito na gente é maior por sermos mais jovens. Quando se tem 20 anos, o efeito é mais profundo, no entanto, é mais fácil aguentar no imediato”

Sozinha na cela
“Dentro da Barão de Mesquita (RJ), ninguém via ninguém. Havia um buraquinho, na porta, por onde se acendia cigarro. Na Oban, as mulheres ficavam junto às celas de tortura. Em MG, sempre ficava sozinha, exceto quando fui a julgamento, quando fiquei com a Terezinha. Na ida e na vinda todas as mulheres presas no Tiradentes sabiam que estavam presas: uma, por exemplo, Maria Celeste Martins, e Idoina de Souza Rangel, de São Paulo”

Visita da mãe
“Em MG, estava sozinha. Não via gente. (A solidão) Era parte integrante da tortura. Mas a minha mãe me visitava às vezes, porém, não nos piores momentos. Minha mãe sabia que estava presa, mas eles não a deixavam me ver. Mas a doutora Rosa Maria Cardoso da Cunha, advogada, me viu em SP, logo após a minha chegada de Minas. Hoje ela mora no Rio e posso contatá-la”

Cena da bomba
“Em MG, fiquei só com a Terezinha. Uma bomba foi jogada na nossa cela. Voltei em janeiro de 1972 para Juiz de Fora (nunca me levaram para BH). Quando voltei para o julgamento, me colocaram numa cela, na 4ª Cia. de Polícia do Exército, 4ª RM, lá apareceu outra vez o Dops que me interrogava. Mas foi um interrogatório bem mais leve. Fiquei esperando o interrogatório bem mais leve. Fiquei esperando o julgamento lá dentro”

Frio de cão
“Um dia, a gente estava nessa cela, sem vidro. Um frio de cão. Eis que entra uma bomba de gás lacrimogênio, pois estavam treinando lá fora. Eu e Terezinha ficamos queimadas nas mucosas e fomos para o hospital. Tive o ‘prazer’ de conhecer o Comandante General Sylvio Frota, que posteriormente, me colocará na lista dos infiltrados no poder público, me levando a perder o emprego”

Motivos
“Quando eu tinha hemorragia, na primeira vez foi na Oban (…) foi uma hemorragia de útero. Me deram uma injeção e disseram para não bater naquele dia. Em MG, quando comecei a ter hemorragia, chamaram alguém que me deu comprimido e depois injeção. Mas me davam choque elétrico e depois paravam. Acho que tem registros disso no final da minha prisão, pois fiz um tratamento no Hospital das Clínicas”

Morte e solidão
“Fiquei presa três anos. O estresse é feroz, inimaginável. Descobri, pela primeira vez, que estava sozinha. Encarei a morte e a solidão. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente o resto da vida”

Marcas da tortura
“As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim”

sábado, junho 16, 2012

Enem fecha inscrições com recorde de mais de 6 milhões de candidatos


As inscrições para a edição deste ano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2012) foram encerradas às 23h59 desta sexta-feira (15). De acordo com o balanço final divulgado pelo Ministério da Educação, o sistema recebeu um total de 6.497.466 de inscrições. É o maior número de candidatos inscritos da história do exame.
Quem fez a inscrição para o Enem, que é usado como parte ou íntegra do processo seletivo de universidades públicas e particulares, deverá fazer o pagamento da taxa, de R$ 35, até a quarta-feira (20). O pagamento deve ser feito em agências bancárias por meio de uma guia gerada pelo próprio sistema. As provas do Enem 2012 serão feitas nos dias 3 e 4 de novembro.
Mudanças
Em maio, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, apresentou as novas regras do exame. As principais mudanças ocorreram na prova de redação, que terá um novo sistema de correção. Segundo o ministro, o MEC decidiu criar "filtros mais precisos para avaliar" a redação.

Pelo novo sistema, cada prova será corrigida por dois corretores independentes, que avaliarão cinco competências. Caso as notas dos dois corretores tenham uma diferença de até 200 pontos, a nota final será feita a partir de uma média aritmética das duas avaliações. Até o ano passado, a margem de dispersão era de 300 pontos (a nota final do Enem varia de 0 a 1.000).
No entando, se a diferença da nota final entre dois avaliadores for maior que 200 pontos, haverá uma terceira correção. Se persistir a diferença, uma banca com outros três avaliadores vai corrigir a redação. A banca será composta de três avaliadores e coordenada por um professor doutor.
Para executar o novo sistema, Mercadante anunciou o aumento de 40% no quadro de avaliadores, de 3.000 para 4.200 a partir deste ano.
VEJA AS COMPETÊNCIAS DA REDAÇÃO DO ENEM
Competência I: Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita
Competência II: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
Competência III: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Competência IV: Demonstrar conhecimento dos mecanismos lingüísticos necessários para a construção da argumentação.
Competência V: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Fonte: Inep
Cinco competências
A redação deve cumprir cinco competências(veja ao lado), cada uma vale 200 pontos, para o total máximo de 1.000 pontos. Se em qualquer uma das cinco competências houver uma discrepência acima de 80 pontos nas duas notas, um terceiro corretor avaliará a prova. O processo já acontecia no ano passado, porém, a partir de 2012, a prova será encaminhada a uma banca certificadora caso, na terceira nota, também persista a dispersão.

De acordo com o ministro, o edital com as novas regras será publicado no "Diário Oficial da União" de sexta-feira (25).
"Para fazer todas as mudanças criamos comitê científico, discutimos intensamente para chegar a essas conclusões e estamos bastante preparados para enfrentar este grande desafio para fazer o Enem mais seguro e que dê tranquilidade para os jovens que vão participar desse processo", disse o ministro da Educação.
CRONOGRAMA DO ENEM 2012
Período de inscrições28/05 a 15/06/2012
Taxa de inscriçãoR$ 35
Pagamento da taxaAté 20/06/2012
Data das provas3 e 4/11/2012
Divulgação do gabarito7/11/2012
Resultado final28/12/2012
Guia da redação
Mercadante afirmou que o Ministério da Educação vai distribuir a todos os alunos um guia para a redação do Enem, com as regras de correção e exemplos de redações modelo. Segundo o ministro, o Enem se tornou uma "peça estruturante do sistema de ensino superior do Brasil, porque na realidade ele é o grande instrumento de avaliação do mérito e desempenho dos alunos".

Sobre os candidatos terem acesso à correção da redação, Mercadante destacou que o MEC firmou um termo de ajustamento de conduta com a Justiça no final do ano passado, no qual ficou definido que os estudantes teriam acesso à prova. “Isso será mantido, o que estamos concluindo é a operacionalização. É uma operação complexa fazer com que cada aluno que solicite sua redação a receba onde ela deve chegar.”
Ele creditou ao Enem o sucesso de programas como o Sistema de Seleção Unificado (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni), o Programa de Financiamento Estudantil (Fies) e o Ciência Sem Fronteiras, que utilizam o resultado do exame como principal critério de seleção dos estudantes.
Esse alunos "chegaram pelo mérito, o acesso foi o Enem, é uma conquista republicana", disse Mercadante. "Estamos fazendo um refinamento do sistema para que a banca esteja sempre pronta a responder pelos casos de discrepância", disse Luiz Cláudio Costa, presidente do Inep.
Segundo Costa, as mudanças são uma busca do Inep por "um sistema cada vez mais justo" para avaliar os candidatos "dentro da subjetividade da avaliação de um texto".
Certificação
A partir desta edição do Enem, os candidatos que fizeram a prova em busca da certificação do ensino médio terão de ter melhor desempenho. A pontuação mínima necessária subiu de 400 para 450 pontos em cada uma das áreas de conhecimento e 500 pontos na redação.

Segurança
Mercadante destacou um incremento no processo de fiscalização e segurança do Enem para evitar problemas como no ano passado, quando questões do pré-teste vazaram e apareceram em apostilas de um colégio de Fortaleza (CE) onde foram aplicados. "Mudamos nossa metodologia para ter mais segurança no pré-teste", disse o ministro. "Temos certeza de que esse risco hoje não está presente. Fazendo com todo sigilo e todo rigor. Banco de itens é um cofre do MEC que tem que ser preservado como cofre. Temos uma metodologia segura e rigorosa para não termos problemas como no passado."

O ministro disse ainda que os pontos de atenção que o MEC deve ter em relação à segurança do Enem passaram de 1.200 itens para 3.439 itens. "Praticamente triplicamos o rigor de fiscalização", avaliou.
Mercadante afirmou que o Brasil está atrasado em relação a exames semelhantes realizados em países como Estados Unidos, China, Alemanha, França e Reino Unido. E que, além de estar menos preparado, o Brasil tem como principal desafio a gestão e a logística de aplicar uma prova para mais de 5 milhões de pessoas em todo o território brasileiro (em 2011, o MEC recebeu 5,4 milhões de inscrições).
O Ministério da Educação decidiu após uma polêmica judicial, em janeiro deste ano,cancelar a primeira edição do Enem de 2012, prevista para abril. Uma portaria de 18 de maio de 2011 havia anunciado que, a partir de 2012, o Enem seria realizado duas vezes por ano. A mesma portaria havia fixado a data da primeira edição do exame para os dias 28 e 29 de abril.

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