quarta-feira, fevereiro 11, 2015

EDUARDO CUNHA DÁ RESPOSTA À TENTATIVA DO GOVERNO EM APROVAR A REGULAÇÃO DA MÍDIA

O deputado federal, eleito presidente da Câmara, Eduardo Cunha, desafeto do governo, disse em entrevista recente que não aceitará votar projetos polêmicos como o aborto e a regulação da mídia. Em suas palavras, “aborto e regulação da mídia só serão votados passando por cima do meu cadáver”. Cunha, que foi eleito presidente da Casa há uma semana, vem contrariando o governo desde então e  não faz concessões: “Não tenho que ser bonzinho. Eles querem que essa seja a agenda do país, mas não é”.
Em pouco tempo, o deputado já fez muito do que o antigo presidente da câmara, aliado de Dilma, não teve coragem de fazer. Instalou uma nova CPI da Petrobrás, que voltará a investigar a corrupção na estatal, avançou na proposta de reforma política que garante o financiamento de campanhas por empresas privadas, contrariando o governo federal. E agora, como mais um “tapa de luva” na cara dos petistas, Cunha dá o recado quanto a tão sonhada regulação da mídia, projeto defendido pelos petistas que serviriam de controle ecensura à imprensa brasileira.
Eduardo Cunha promete ser uma “pedra no sapato” da presidente da república. Vale lembrar que, caso as investigações na Operação Lava Jato avance e se comprove o envolvimento da presidência com alguma irregularidade na Petrobrás, cabe a Eduardo Cunha a possibilidade de colocar em votação o impeachment de Dilma.

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

‘O Lula está com um pé na cadeia’, diz jornalista sobre revelações bombásticas de Yousseff

ublicado por  em 26 outubro, as 17 : 30 PMPrint
‘O Lula está com um pé na cadeia’, diz jornalista sobre revelações bombásticas de Yousseff
O jornalista Políbio Braga, comentou a matéria da Veja que rendeu pichação e papeis picotados da edição por parte de militantes petistas,  na porta da Editora responsável pela revista.
Políbio, a exemplo de outros jornalistas que já se pronunciaram sobre a divulgação pela Veja, da delação premiada de Yousseff, o doleiro preso na operação Lava-Jato, que colocou Dilma e Lula no centro do esquema de propinas para compra de apoio político para o partido e financiamento de campanha do PT.

O jornalista foi mais a fundo e incisivo do que outros pares e disse que “Lula está com um pé na cadeia” e já deveria ter ido junto com outros “malandros do mensalão”

sábado, fevereiro 07, 2015

Avaliação negativa do governo Dilma é de 44%, diz Datafolha

Em festa do PT, Dilma diz que país tem de ter 'orgulho' da Petrobras

Do G1, em Brasília
O governo da presidente Dilma Rousseff é avaliado negativamente por 44% dos entrevistados, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (7). O índice de eleitores que avaliaram o governo da petista como "ótimo" ou "bom" é de 23%.
A última pesquisa divulgada pelo instituto, em 3 de dezembro de 2014, apontava que Dilma tinha avaliação positiva de 42% dos entrevistados. Outros 24% disseram no ano passado que o governo da presidente era "ruim" ou "péssimo".
O resultado da pesquisa de avaliação do governo de Dilma feita neste mês é:
- Ótimo/bom: 23%
- Regular: 33%
- Ruim/péssimo: 44%
- Não sabe/não respondeu: 1%

A pesquisa Datafolha mostra ainda que 47% dos brasileiros consideram a presidente desonesta, 54% a consideram falsa e 50%, indecisa.Para 46% dos eleitores ouvidos pelo instituto, Dilma mentiu durante a campanha eleitoral do ano passado. Outros 14% acreditam que a então candidata falou apenas mentiras durante o processo.
Outro dado levantado pela pesquisa indica que 26% dos eleitores disseram acreditar que a situação econômica do próprio entrevistado iria piorar neste ano. Outros 38% disseram que a situação deve permanecer da mesma forma como está.
Corrupção na Petrobras
Ainda segundo o Datafolha, apenas 14% dos eleitores acreditam que Dilma não sabia do esquema de corrupção na Petrobras. Outros 77% dos entrevistados acreditam que a presidente Dilma sabia do esquema. Destes, 52% disseram que ela sabia dos desvios na estatal e deixou que o esquema continuasse. Para 25% dos que disseram que a petista sabia dos desvios, mesmo sabendo, a presidente nada pôde fazer.

De acordo com a pesquisa, 21% dos entrevistados apontaram a corrupção como o maior problema do país. O tema só ficou atrás da saúde, que contabilizou 26%.
O Datafolha fez a pesquisa entre terça-feira (3) e quinta-feira (5). O instituto ouviu 4 mil eleitores em 188 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (7) pelo jornal "Folha de S.Paulo" mostra que 43% dos entrevistados julgam que a presidente Dilma Rousseff tem "muita responsabilidade" em relação ao escândalo de corrupção na Petrobras. Para 25%, Dilma tem "um pouco" de responsabilidade.
Somados os percentuais de "muita" e "pouca", 68% consideram que ela tem algum tipo de responsabilidade. Na avaliação de 20%, Dilma não tem responsabilidade – 12% não souberam responder.
Segundo informou o jornal, o levantamento também indicou que 42% dos entrevistados avaliam como "bom" ou "ótimo" o governo da presidente, 33% como "regular" e 24% como "ruim" ou "péssimo". Para 50%, ela fará um bom segundo mandato.
Para 85% dos entrevistados, houve corrupção na Petrobras; 13% disseram que não sabem; 2% consideram que não houve. Dentre os que responderam que houve, 41% acham que os beneficiados foram partidos políticos; 11%, empreiteiras; 8%, funcionários da Petrobras; e 35%, todos –Datafolha ouviu 2.896 pessoas entre as últimas terça (2) e quarta-feira (30) em 173 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

CVM abre processo sobre troca de comando na Petrobras


Do G1, no Rio e em São Paulo

 Comissão de Valores Mobiliários (CVM) confirmou nesta sexta-feira (6) que abriu um processo administrativo para analisar a divulgação, pela Petrobras, da renúncia da agora ex-presidente da companhia, Graça Foster, e de cinco diretores, na quarta-feira. Também nesta sexta, o Conselho da petroleira aprovou o nome de Aldemir Bendine para assumir o cargo.
Ele ocupa a presidência do Banco do Brasil desde 2009 e é ligado ao PT, apesar de não ser filiado ao partido. Pela manhã, o Blog da Cristiana Lôbo havia antecipado a escolha de Bendine para a presidência da Petrobras, o que já causou reações no mercado. A escolha gerou críticas, fez as ações da Petrobras e do BB caírem e o dólar fechar na cotação mais alta desde dezembro de 2004. 
A troca foi realizada em meio às investigações de desvio de dinheiro da estatal na Operação Lava Jato, que causou uma crise da empresa no mercado financeiro.
selo novo presidente Petrobras Aldemir Bendine (Foto: Editoria de arte/G1)
Apuração da CVM
As renúncias de Graça Foster e dos diretores foram comunicadas pela Petrobras na quarta (4), em resposta a um questionamento feito na véspera pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) – que solicitava à companhia explicação  sobre os rumores da troca de comando e sobre a forte oscilação no valor das ações.

A resposta foi enviada pela Petrobras ao sistema da CVM às 10h13, mais de uma hora após o prazo determinado pela Bovespa, de 9h.
Além disso, não houve comunicação por meio de "fato relevante" – um tipo específico de comunicado exigido pela CVM em caso de "qualquer decisão de acionista controlador, deliberação da assembléia geral ou dos órgãos de administração da companhia aberta, ou qualquer outro ato ou fato de caráter político-administrativo, técnico, negocial ou econômico-financeiro ocorrido ou relacionado aos seus negócios".
Devem ser comunicados por meio de "fato relevante" decisões que possam influir "na cotação dos valores mobiliários de emissão da companhia aberta ou a eles referenciados" e "na decisão dos investidores de comprar, vender ou manter aqueles valores mobiliários".
Novo presidente
O anúncio do nome de Bendine nesta tarde também seguiu um roteiro pouco usual. O comunicado foi arquivado na CVM às 15h22, enquanto as operações na Bovespa seguiam abertas.

O manual da bolsa determina que esse tipo de divulgação deve ser feito, "sempre que possível", antes do início ou após o encerramento dos negócios nas bolsas de valores.
Em nota, a CVM não apontou se essa divulgação pode dar origem a outro processo, e informou apenas que "acompanha e analisa as informações envolvendo as companhias abertas, tomando as medidas cabíveis, quando necessário".
A comissão disse que não comenta casos específicos em andamento, "inclusive para não afetar negativamente trabalhos de análise ou apuração que entenda cabíveis".
Questionada pelo G1, a Bovespa afirmou que a própria regulamentação prevê a possibilidade de divulgação durante o pregão.
Reações
Além da reação negativa do mercado, que esperava um nome com perfil menos político que Bendine, a escolha da presidente Dilma Rousseff foi criticada pela oposição e até por representante do próprio Conselho da estatal.

O representante dos acionistas minoritários, Mauro Cunha, divulgou nota na qual afirma que a escolha de Bendine desrespeitou o Conselho e que o governo "impôs sua vontade sobre os interesses da Petrobras, ignorando os apelos de investidores de longo prazo".
O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse em sua página na rede social Facebook que "não tendo conseguido alguém de fora do governo que se dispusesse a ser sócio do maior escândalo de corrupção da história contemporânea do país, restou à presidente buscar dentro do próprio governo o novo presidente da Petrobras".
Parlamentares da base aliada defenderam a escolha, apesar de reconhecerem que a decisão não agradou os investidores. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou que Bendine é "um bom executivo" e que "saberá fazer a composição do conselho e fazer uma boa gestão".

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Delator estima que PT recebeu cerca de US$ 200 milhões de propina

Lucas Salomão e Camila BomfimDo G1, em Brasília, e da TV Globo*

O ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco estimou, em depoimento concedido àPolícia Federal em acordo de delação premiada, que o PT recebeu de propina em contratos da estatal uma quantia entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões. Segundo Barusco, esses valores se referem a propina em 90 contratos da estatal com grandes empresas fechados entre 2003 e 2013, durante os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O depoimento de Barusco foi dado em novembro e divulgado no andamento processual da Operação Lava Jato nesta quinta-feira (5).
 
OPERAÇÃO LAVA JATO
PF investiga lavagem de dinheiro.
Em um desses mandados, o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, foi levado para prestar depoimento da superintendência da PF em São Paulo. Ele saiu sem falar com a imprensa.
Na delação, Barusco  citou também que havia a participação de Vaccari no recebimento das propinas.
"[Pedro Barusco] estima que foi pago o valor aproximado de US$ 150 a 200 milhões ao Partido dos Trabalhadores, com a participação de João Vaccari Neto", diz o documento da Justiça Federal que registra o depoimento de Barusco.
No depoimento, Barusco explicou como funcionava o pagamento e a divisão da propina nos contratos. Segundo o delator, o percentual de propina cobrado variava entre 1% e 2%, dependendo da diretoria pela qual o contrato era firmado.
Em todas as diretorias, segundo Barusco, o PT ficava com metade da propina. Ele disse ainda que esse dinheiro irregular que ia para o partido era distribuído ora para Vaccari, ora para Renato Duque, ora para o próprio Barusco, que faziam o repasse para outros agentes do esquema.
"Houve pagamento de propinas em favor do declarante [Barusco] e de Renato Duque, bem como em favor de João Vaccari Neto, representando o Partido dos Trabalhadores - PT -, a partir do momento em que este se tornou tesoureiro do partido e passou a operar em favor do mesmo", diz o registro do depoimento.
O delator também contou aos policiais federais que Vaccari mantinha contato com Duque para saber do andamento dos contratos na Petrobras e tratar de novos contratos. De acordo com ele, nos encontros eles também falavam sobre o pagamento de propinas.Na delação premiada, o ex-gerente daPetrobras disse que Renato Duque tinha um contato “muito forte” com João Vaccari. Segundo Barusco, o ex-diretor da estatal e o tesoureiro do PT costumavam se encontrar no Hotel Windsor Copacabana, no Rio de Janeiro, e no Meliá, da Alameda Santos, em São Paulo.
Ao G1, o advogado de Renato Duque, Alexandre Lopes disse que Barusco mentiu na delação premiada.
“O senhor Pedro Barusco mentiu, no que tange a Renato Duque, em suas declarações. Pedro Barusco trouxe Renato Duque para o processo, realizando delação falaciosa, com a intenção de ser agraciado pela Justiça com um prêmio, que é o de permanecer em liberdade, apesar de ter confessado inúmeros crimes. Malgrado todas as suas assertivas, não apresentou ao Ministério Público Federal nenhuma prova contra Renato Duque, o que demonstra a fantasia das acusações”, afirmou o advogado.
Por meio de nota, a assessoria de imprensa do PT informou que o partido "recebe apenas doações legais e que são declaradas à Justiça Eleitoral". Para o PT, as declarações de Barusco não merecem crédito porque, segundo a nota, "têm como principal característica a tentativa de envolver o partido em acusações, mas não apresentam provas ou sequer indícios de irregularidades".
Em Belo Horizonte, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse que todas as acusações contra seu partido serão "desmentidas". Questionado sobre quem desmente as denúncias, o dirigente petista se limitou a dizer que os fatos irão desmenti-las.
O advogado de Vaccari Neto, Luiz Flávio Borges D’Urso, afirmou por meio de nota que o PT não tem caixa dois nem conta no exterior. Segundo D'Urso, o partido só recebe contribuições legais e não recebe doações em dinheiro.
Com gabinete no Palácio do Planalto, o ministro de Relações Institucionais, Pepe Vargas, disse nesta quinta-feira, em Brasília, que o fato de o tesoureiro do PT ter sido levado para prestar depoimento na Polícia Federal em razão da nova etapa da Operação Lava Jato “não cria constrangimento” para o governo.
“Para o governo, não cria constrangimento algum. Agora, se houve algum envolvimento de uma pessoa do PT, o PT vai ter que tomar as atitudes que devem ser tomadas. Vamos aguardar os desdobramentos desses episódios”, enfatizou.

Área Internacional
Barusco afirmou ainda que  "excepcionalmente" o ex-diretor da área Internacional Jorge Zelada também recebia parte da propina..

É a primeira vez que o nome de Zelada aparece em uma delação da Operação Lava Jato. Até agora, o nome dele só havia sido citado na CPI da Petrobras. Zelada era auxiliar na diretoria Internacional na época em que a área era comandada por Nestor Cerveró, ex-diretor preso na Lava Jato.
Barusco revelou ainda que organizava os pagamentos "mediante uma contabilidade".
Na delação, o ex-gerente negou que se as propinas não fossem pagas haveria represália aos empreiteiros. Barusco afirmou que o “pagamento de propinas dentro da petrobras era lago endêmico e institucionalizado”.
Ao G1, o advogado Eduardo de Moraes, responsável pela defesa de Zelada, disse que seu cliente jamais, nem “excepcionalmente”, recebeu recursos financeiros de Pedro Barusco. Segundo o defensor, são "inverídicas" as referências ao nome de Zelada nos depoimentos do ex-gerente da Petrobras.
"Ao longo da trajetória profissional de Jorge Zelada, na Petrobras, nunca recebeu propina", ressaltou o advogado por meio de nota.
Dinheiro para campanha
Barusco também mencionou que Duque pediu à empresa SBM, um dos alvos de investigação da Operação Lava Jato, US$ 300 mil como "reforço" para a campanha eleitoral de 2010.

“[Barusco disse]  que Renato de Souza Duque solicitou ao representante da SBM, Julio Faerman, a quantia de US$ 300 mil dólares a título de reforço de campanha durante as eleições de 2010, provavelmente atendendo a pedido de João Vaccari Neto, o que foi contabilizado pelo declarante à época como pagamento destinado ao Partido dos Trabalhadores PT”, diz trecho documento disponibilizado no sistema eletrônico da Justiça Federal.
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DILMA ESTÁ NO MEIO DA IMPLOSÃO


Foto: Joedson Alves/ Reuters






Não bastasse a situação econômica adversa, o governo Dilma parece enfrentar, no seu início, uma pororoca política. Os sintomas, na verdade, são de que a política tal e qual a conhecemos está à beira da implosão.
O PMDB é situação e oposição simultaneamente; no PT seus integrantes atiram-se uns aos outros à fogueira quando convém; o candidato a presidente do PSDB faz oposição cerrada  o que a muito não se faz com tanta inteligencia, no DEM o sucesso é Ronaldo Caiado, o goiano é inteligente e sabe fazer oposição. O número de partidos políticos não para de aumentar (um ao ano, em média), embora 75% da população os rejeitem, um índice recorde segundo as pesquisas.
Difícil escapar à percepção de que algo está fora da ordem e que não diz respeito apenas às circunstâncias do momento.
O buraco é muito mais embaixo. Os primeiros sinais vieram das ruas, em junho de 2013, 2014 está se repetindo em 2015. Ficou evidente o fosso entre o que fazem, dizem e querem os políticos e as demandas da sociedade. Parecem que falam línguas diferentes. De lá para cá, o buraco não foi tapado. Se pontes foram construídas, está difícil de enxergá-las.
Neste cenário, o escândalo da Petrobras e a futura entrada em cena dos parlamentares citados nas delações premiadas (com provável julgamento no STF) pode ser o estopim da implosão. Para parte da oposição isto significará impeachment com seu estilo ausente, como se as tormentas não a deixa dormir e governar com negociações suspeitas.Petrobras(ela era a presidente do conselho), BNDS e outras muitas que a mídia está atenta.
Mas o terremoto pode ser mais significativo do que isso.

O exemplo internacional mais próximo a nos orientar sobre o que é a implosão de um sistema político é o que ocorreu na Itália. Me refiro à Operação Mãos Limpas — a devassa anticorrupção ocorrida nos anos 1990, quando promotores públicos conduziram investigações contra centenas de políticos, empresários, funcionários de governo e juízes. Vieram à tona, na Itália, desde as irregularidades existentes no financiamento dos partidos políticos ao relacionamento de governantes com a máfia.O resultado imediato dessa gigantesca crise política foi o desaparecimento dos principais partidos existentes à época, como a Democracia Cristã e o Comunista.
Passada a devassa nem a máfia nem a corrupção acabaram na Itália, mas essa é outra história.
Se vingar algo similar a isto no Brasil, será sem dúvida um terremoto político de largas proporções. Por este enredo, a crise terminaria em uma reforma política “de verdade” e num rearranjo de forças cujo alcance, no momento, só é possível vislumbrar como ficção. O cerco a Dilma e Lula está crescendo vertiginosamente. Não sabemos aonde vai dar, mais que vai, vai, quem for vivo verá.

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

Senado exclui da Mesa Diretora partidos que apoiaram rival de Renan

Em sessão tensa, o plenário do Senado Federal elegeu nesta quarta-feira (4), com 46 votos favoráveis,  2 contrários e uma abstenção, os dez integrantes da Mesa Diretora que administrarão a Casa pelos próximos dois anos.
A chapa aprovada, porém, excluiu o PSDB e o PSB, dois partidos que teriam direito a assento no colegiado pelo critério da proporcionalidade, mas que apoiaram a eleição do rival de Renan Calheiros (PMDB-AL) na disputa pela presidência do Senado. Antes mesmo da votação, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) bateu boca de forma ríspida com o presidente. Aos gritos, disse que Renan “diminui” o Senado e não tem legitimidade para representar a oposição. O peemedebista reagiu e, muito exaltado, tocou na ferida da derrota do tucano na eleição para presidência da República. “Por isso deu no que deu”, disse Renan com dedo em riste. “Honre os meus 51 milhões de votos. O senhor me respeite”, respondeu o Aécio, que foi aplaudido por grande número Senadores, e disse que perdeu para as mentiras da sua adversária. A oposição protestou por quase quatro horas, tentou adiar a votação e se retirou do plenário antes da votação. DEM e PSDB classificaram a votação como “manobra” de Renan Calheiros com o objetivo de “retaliar” e “atropelar” os senadores que aderiram à candidatura rival de Luiz Henrique (PMDB-SC).

SENADORES ELEITOS PARA A MESA DIRETORA
1º VICE-PRESIDENTE
Jorge Viana (PT-AC)
2º VICE-PRESIDENTE
Romero Jucá (PMDB-RR)
1º SECRETÁRIO
Vicentinho Alves (PR-TO)
2º SECRETÁRIO
Zezé Perrella (PDT-MG)
3º SECRETÁRIO
Gladson Cameli (PP-AC)
4º SECRETÁRIO
Ângela Portela (PT-RR)
SUPLENTES
Sérgio Petecão (PSD-AC), João Alberto Souza (PMDB-MA) e Douglas Cintra (PTB-PE)
Composição da Mesa
Para o segundo cargo mais importante da Casa, o de 1º vice-presidente, foi reeleito o petista Jorge Viana (AC) e, para 2º vice-presidente, também foi mantido Romero Jucá (PMDB-RR). Ambos os nomes não foram questionados e contavam com aval de todos os partidos, uma vez que PMDB e PT são donos das duas maiores bancadas da Casa, com 18 e 14 senadores em exercício respectivamente.

Tradicionalmente, o Senado respeita o critério da proporcionalidade partidária na escolha dos membros da Mesa. Por isso, coube ao PMDB indicar o cargo mais importante, de presidente. Renan foi escolhido pelo partido para a disputa, mas o dissidente Luiz Henrique (PMDB-SC) - com apoio de PSDB, DEM, PSOL, PPS e PSB e parte do PDT e do PP – decidiu levar sua candidatura adiante.
O apoio à candidatura independente, na visão do presidente Renan e do líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE), deu abertura a outros partidos reivindicarem cargos a que não teriam direito se fosse levado em conta o tamanho das bancadas.
Pelo critério da proporcionalidade, teriam direito às quatro secretarias da Mesa Diretora PSDB, PT, PSB e PDT. Já DEM, PP, PR e PSD ficariam com as suplências das secretarias.
A chapa apresentada pelos governistas, porém, excluiu PSDB (que tem 10 senadores) e PSB (6 senadores) e incluiu mais um integrante do PMDB e um do PTB (3 senadores). A chapa mantinha um nome do DEM, o da senadora Maria do Carmo Alves (SE), mas o partido o retirou como forma de protesto.
Renan negou ter excluído propositalmente o PSDB e o PSB da composição da Mesa e disse ter tentado por três dias chegar a um acordo entre todos os líderes.
“Ouso renovar o apelo para que haja entendimento entre os líderes. Se tivermos um acordo entre os líderes e tomarmos como referência a proporcionalidade, nós chegaremos a bom termo. Isso é bom para o Brasil, é bom para o Senado”, disse Renan Calheiros durante o debate que antecedeu a eleição.
O PSDB havia escolhido Paulo Bauer (PSDB-SC) para a primeira secretaria, indicação que rendeu um racha dentro da própria bancada tucana. Lúcia Vânia (PSDB-GO), que queria ficar com o cargo, chegou a anunciar que deixará o partido. Antes da votação, porém, o PSDB retirou sua candidatura.

Já o PSB, que teria direito à quarta secretaria, havia indicado Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), mas também desistiu da candidatura.

Oposição
PSDB, DEM e PSB, que protestaram durante toda a sessão, deixaram o plenário antes da votação como forma de protesto. O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), prometeu que, a partir daquele momento, os senadores passariam a ver uma oposição “que nunca antes viram nessa Casa”.

“Não espere das oposições a compreensão que tivemos nos últimos anos”, afirmou Aécio Neves. “Será a oposição mais dura da história recente”, disse Paulo Bauer (PSDB-SC) ao anunciar que não concorreria mais à 1ª secretaria. Renan, então ironizou: “eu lamento a retirada da candidatura de Paulo Bauer e comemoro a notícia de que a oposição vai fazer oposição”.

A primeira rusga entre Renan e Aécio se deu quanto o tucano afirmou que Deus havia dado ao alagoano a “oportunidade histórica” de “reconciliar o Senado com a sociedade brasileira” e que Renan “não se coloca à altura da casa de Ruy Barbosa”.

Já bastante nervoso, o presidente respondeu: “quem perdeu a oportunidade que Deus deu não fui eu. Vossa excelência está redondamente errado” – uma referência à derrota do tucano nas eleições presidenciais de 2014. Aécio revidou afirmando que não haveria candidaturas avulsas se Renan e o PMDB não tivessem concordado. “Um desrespeito, uma manobra sem precedentes”.
O líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), também classificou de “manobra” a exclusão do PSDB e do PSB. “Renan fez uma opção clara de dividir o Senado e governar apenas para os 49 que votaram nele. Uma manobra inaceitável, um acordo de conchavo e de coxia”, reclamou.
O senador José Agripino (DEM-RN) classificou a votação como “a sessão da vergonha, do constrangimento”. “A democracia faleceu”, lamentou o democrata.
Um dos únicos senadores da base aliada que se manifestou durante a votação foi Luiz Henrique. Derrotado por Renan na eleição à presidência, disse que gostaria de fazer um “apelo”. “Eu quero que todos reconheçam sua presidência e, para que isso ocorra, é fundamental que não tenhamos uma decisão que exclua qualquer legenda”, declarou.
“Lamento muito, muito mesmo que eu não tenha essa delegação devido ao conflito de interesses que se estabeleceu nas lideranças partidárias”, respondeu Renan aos senadores que pediram uma nova reunião para se tentar estabelecer um acordo. Aécio fez referência ás vaias que a presidente Dilma, vem levando em todos os lugares aonde vai, com grandes contingentes de pessoas que  querem a presidente fora do poder.

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