terça-feira, agosto 11, 2015

RN tem 106 eólicas e 2.477 MW habilitados para leilão

Júnior SantosParque eólico no RN: Estado é o maior gerador de energia eólica no país e espera mais investimentosParque eólico no RN: Estado é o maior gerador de energia eólica no país e espera mais investimentos

O Rio Grande do Norte e a Bahia estão empatados em quantidade de projetos habilitados nessa área, mas a oferta de energia é superior nos projetos baianos. De acordo com os dados divulgados ontem pela EPE, Bahia e Rio Grande do Norte foram os que mais registraram projetos eólicos, com 106 cada um. Só que a oferta de energia é de 2.541 MW na Bahia e de 2.477 MW no RN. O Ceará é o terceiro estado em número de projetos habilitados e oferta de energia,   seguido do Piauí e do Maranhão.

Os 371 projetos habilitados, ao todo, para o leilão, equivalem a 9.594 MW. Além dos empreendimentos decorrentes da energia eólica, foram habilitadas 17 pequenas centrais hidrelétricas (184 MW), 13 termelétricas a biomassa (612 MW) e 3 termelétricas a gás natural (417 MW).

Preços
Segundo informações da EPE, o preço inicial do leilão para a fonte eólica será de R$ 184 por MWh; para as termelétricas a biomassa e termelétricas a gás natural, de R$ 218,00/MWh; e para empreendimentos hidrelétricos, de R$ 216/MWh.

De acordo com representantes do setor o preço estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é um entrave nesse leilão, ao reduzir a atratividade do investimento e indicar que o governo pode não ter mapeado, neste momento, a necessidade de contratação de um grande volume de energia nova. "O preço estabelecido é horrível. O valor de R$ 218/MWh não fica nem perto do patamar necessário", afirmou o presidente da Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget), Xisto Vieira Filho. O valor citado é o máximo que será pago pela energia a ser gerada por novos projetos térmicos incluídos no leilão.

O formato do certame estabelece a compra de energia a partir do menor valor ofertado, ou seja, os vencedores são as empresas que oferecem o maior deságio em relação ao preço-teto.

Para o presidente da Abraget, o preço proposto para as térmicas deveria estar acima de R$ 350/MWh no caso dos empreendimentos abastecidos com gás natural liquefeito (GNL) importado e em um patamar acima de R$ 310/MWh para as usinas a biomassa. "Com esse preço (proposto), quem entrar não sabe fazer conta", disse Xisto Vieira em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

O pessimismo é compartilhado pela presidente da Associação Brasileira de Energia Elétrica (ABEEólica), Elbia Gannoum. Para ela, o valor é "bastante limitante". "Em junho, enviamos carta ao ministro (de Minas e Energia) a partir da qual mostramos as condições de momento. Utilizamos o preço do Leilão de Energia de Reserva (LER) de 2014, de R$ 144/MWh, e fizemos os devidos ajustes. Chegamos a um valor de R$ 207/MWh e pedimos, na oportunidade, um preço-teto de R$ 210/MWh" revela Elbia.

O valor corrigido, segundo ela, considerava o dólar mais valorizado em relação ao real, mudanças nos custos de financiamento e nas condições de recursos disponibilizados pelo BNDES, no custo do aerogerador, entre outros pontos. A inflação acumulada não foi incluída na conta. "Esse preço não estimula a competição e os projetos mais eficientes. Hoje eu não tenho expectativa e há uma preocupação de que não haja oferta", afirmou. Em função das condições pouco atrativas do A-3, os geradores de energia eólica já começam a planejar projetos para o LER 2015, previsto para 13 de novembro.

Plano Nacional de Energia será lançado hojeDo Estadão Conteudo

O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Altino Ventura Filho, disse ontem que está confirmado para amanhã o lançamento do Plano Nacional de Energia Elétrica pela presidente da República, Dilma Rousseff (PT). Segundo ele, o plano reflete "a necessidade de o Brasil criar a 'energia do amanhã', com a construção de usinas e linhas de transmissão para atender bem um mercado que cresce a taxas razoáveis".

"Essa expansão se faz pelos leilões de energia. Temos um programa que está em expansão no sistema, fruto dos leilões já realizados, e de expansão com novas usinas que deverão ser licitadas em leilões neste ano e em 2016, como a hidrelétrica de São Luiz de Tapajós (PA)", afirmou a jornalistas. 

Ventura Filho deu as declarações antes de sua participação na audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) sobre o desenvolvimento e o uso da energia solar fotovoltaica, a proposta de implantação da agência estadual de energia elétrica e o aumento da conta de energia dos irrigantes do Estado. O secretário, porém, não deu detalhes qual matriz energética será considerada no plano, embora tenha citado, além da hidrelétrica, a eólica e a solar.

segunda-feira, agosto 10, 2015

Delator da Lava Jato se compromete a devolver R$ 70 milhões em acordo


Fernando CastroDo G1 PR
Propina foi paga em contrato de afretamento do navio-sonda Titanium Explorer (Foto: Reprodução)Propina foi paga em contrato de afretamento do
navio-sonda Titanium Explorer (Foto: Reprodução)









            

O suposto lobista Hamylton Padilha, réu em um processo derivado da 15ª faz da Operação Lava Jato, se comprometeu a pagar multa compensatória de R$ 70 milhões para validar o acordo de colaboração premiada firmado com oMinistério Público Federal (MPF). O acordo, que foi homologado pelo juiz Sergio Moro, prevê que o pagamento será feito em três parcelas em uma conta judicial.
Padilha responde por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Ele foi denunciado por ter repassado US$ 31 milhões em propina para funcionários da Petrobras e para o PMDB. Em troca do dinheiro, de acordo com os procuradores, Jorge Zelada e Eduardo Musa favoreceram a empresa Vantage Drilling – representada por Padilha – em um contrato de afretamento de um navio-sonda para a estatal.
Pelo acordo de colaboração, a pena unificada de Padilha pelos crimes mencionados nos depoimentos só podem chegar a até oito anos de regime fechado. O regime de cumprimento, porém, deverá ser substituído por de dois a cinco anos em regime aberto diferenciado – mesmas regras do regime aberto, mas cumuladas com prestação de serviço à comunidade e restrições de viagens.
Após este período, haverá uma suspensão condicional da pena.
Delação
Dentre as informações que prestou às investigações para obter o acordo, Padilha detalhou como funcionou a operacionalização dos pagamentos de propina. Ele era representante da Vantage Drilling Corp, empresa que negociou um navio-sonda com a Petrobras. Ele conta que foi procurado por Raul Schmidt Felippe Júnior – outro operador – que informou que o negócio só prosseguiria se houvesse pagamento de propina para Jorge Luiz Zelada, que havia substituído Nestor Cerveró na diretoria Internacional da Petrobras.
Neste encontro, que ocorreu em local público do Rio de Janeiro, Padilha diz que Raul o apresentou a João Augusto Rezende Henriques, que seria o intermediário de Zelada para as instruções de recebimento de propina.
Na ocasião, foi discutida uma dificuldade para operar o pagamento da propina sem despertar a atenção do setor de prevenção de fraudes da Vantage.
A solução encontrada, segundo Padilha, foi buscar a Taiwan Maritime Transportation co. Ltda (TMT), empresa que afretou o navio para a Vantage, para negociar com a Petrobras.
Para chegar até o acionista controlador da TMT, Hsin Chi Su – também referenciado como Nobu Su -, Padilha conta que precisou da intermediação do CEO da Vantage, Paul Alfred Bragg. O delator afirma, porém, que Bragg não sabia das irregularidades.
Negociação
O encontro com Nobu Su ocorreu em Nova Iorque, onde Padilha conta que acertou o pagamento de propina diretamente pela TMT, que também é acionista da Vantage.
Para concluir o negócio, Nobu Su foi ao Rio de Janeiro, em um encontro arranjado com Padilha no hotel Copacabana Palace.
Ali, Padilha conta que apresentou Nobu Su ao intermediário de Zelada, João Augusto Rezende Henriques, para que eles acertassem os detalhes do pagamento da propina. O delator conta que não sabe detalhes da operação.
O delator diz que, para receber a comissão, foi assinado um acordo entre uma subsidiária da TMT e a empresa Oresta, de propriedade de Padilha. A Oresta deveria receber U$S 15,5 milhões de comissão pela negociação – o delator afirma ter ouvido Henriques dizer que este também era o valor negociado para a propina que tinha Zelada como destinatário final.
Da comissão, metade deveria ficar com Padilha, e a outra metade deveria ser transferida para Raul Schmidt. O delator conta, porém, que foi recebido efetivamente apenas U$S 10,8 milhões, em dois pagamentos no ano de 2009 – o restante não foi pago porque a TMT entrou em concordata.
Polícia Federal indicia ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada (Gnews) (Foto: Reprodução GloboNews)Jorge Zelada é réu em processo derivado da 15ª
fase da Lava Jato (Foto: Reprodução GloboNews)
Réus
O juiz Sergio Moro recebeu nesta segunda-feira (10) denúncia contra Jorge Luiz Zelada e mais cinco acusados, que passam a ser réus em ação penal derivada da Operação Lava Jato. O acordo de colaboração de Padilha foi um dos elementos considrados pelo MPF para elaborar a denúncia.
Também viram réus o ex-diretor da estatal Eduardo Vaz da Costa Musa, os supostos lobistas João Augusto Rezende Henriques, Hamylton Pinheiro Padilha Junior, Raul Schmidt Felippe Junior e o executivo Hsin Chi Su.
Veja por quais crimes cada um foi denunciado:
Jorge Luiz Zelada: corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas
Hamylton Pinheiro Padilha: corrupção ativa, lavagem de dinheiro
Raul Schmidt Felippe Junior: corrupção passiva, lavagem de dinheiro
João Augusto Rezende Henriques: corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Hsin Chi Su (Nobu Su): corrupção ativa, lavagem de dinheiro
Eduardo Vaz da Costa Musa: corrupção passiv
a

sexta-feira, agosto 07, 2015

Datafolha: Dilma Rousseff atinge 71% de rejeição e supera Collor

Datafolha também apontou que 66% apoiam a abertura de impeachment contra Dilma. Foto: Divulgação
Datafolha também apontou que 66% apoiam a abertura de impeachment contra Dilma. Foto: Divulgação
A presidente Dilma Rousseff atingiu 71% de reprovação na última pesquisa Datafolha, publicada nesta quinta-feira no jornal Folha de S. Paulo, e bateu um recorde histórico do instituto. O índice representa a mais alta rejeição a um presidente desde que o Datafolha começou a série de pesquisas, em 1990. O recordista anterior era Fernando Collor, reprovado por 68% dos brasileiros em setembro de 1992, nas vésperas do impeachment. O Datafolha apontou ainda que apenas 8% dos entrevistados aprovam o governo Dilma – Collor tinha 9% de aprovação.
No levantamento anterior do instituto, realizado no meio de junho, o governo Dilma era considerado ruim ou péssimo por 65% dos entrevistados, enquanto 10% avaliavam a gestão da petista como boa ou ótima.
Segundo o Datafolha, a presidente é impopular em todas as regiões do país. O Centro-Oeste apresenta a maior taxa de reprovação, com 77%, mas mesmo no Nordeste, que costuma ser um reduto eleitoral petista, Dilma tem números ruins: na região, ela é rejeitada por 66% e aprovada por 10%.
Impeachment - Em outro índice preocupante para o governo, 66% dos entrevistados declararam ser a favor da abertura de um processo de impeachment contra a presidente. Na última pesquisa que perguntou sobre o tema, em abril, a taxa era de 63%. O índice dos que são contra o impeachment caiu 5 pontos no mesmo período, de 33% para 28%. Também cresceu o número dos que acreditam que Dilma será realmente afastada do cargo: de 29% para 38%.
O Datafolha perguntou ainda qual o melhor sistema de governo para o Brasil. O presidencialismo segue sendo apoiado pela maioria, com 53%. Outros 28% defendem um regime parlamentarista, enquanto 19% dizem não saber.
O instituto entrevistou 3.358 pessoas em 201 municípios na terça e na quarta-feira. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.
Fonte: Veja

terça-feira, agosto 04, 2015

Perdas dos municípios chegam a R$ 54 milhões

De acordo com estimativa de prefeitos que vem acompanhando de perto o problema, como Benes Leocádio, de Lajes, as perdas dos municípios potiguares provocadas pela desaceleração da economia chegam a R$ 40 milhões mensais. Este valor não inclui a capital, Natal. “Só nos municípios de coeficiente 0.6 no FPM (com população até 10.188 habitantes), a perda fica em torno de R$ 100 mil mensais”, lembra Benes. Em Natal, essa perda é de R$ 14 milhões/mês, em média, segundo informações da Controladoria-Geral do Município. Este valor não inclui a capital, Natal.

Benes lembra que a queda nos repasses das transferências constitucionais (FPM, ICMS, IPVA etc.) refletem também em menos recursos para a Saúde e para a Educação. “A grande grita hoje é na Saúde. Todas as prefeituras estão tendo de complementar os programas federais para cumprimento do atendimento básico, principalmente o Programa Saúde da Família”, relata Benes.

Junior SantosDionísio: repasses de apenas 3% dos convênios federaisDionísio: repasses de apenas 3% dos convênios federais

Ele disse que em função da crise nas finanças, os municípios estão recorrendo a uma espécie de pedalada para pagar os salários. “Na maioria dos casos, as prefeituras pagam o valor líquido - que o servidor ter a receber da prefeitura - e transfere para o mês seguinte os comissionados, as obrigações sociais e o repasse dos empréstimos consignados aos bancos.

O controlador-geral da prefeitura de Natal, Dionisio Gomes, acrescenta mais um dado às dificuldades enfrentadas pelos municípios: até 30 junho apenas 3% dos valores de convênios celebrados pela prefeitura com o governo federal foram efetivamente repassados. “Aí você pode me perguntar qual é a gravidade disso? A gravidade é que quando fizemos o orçamento consideramos os valores desses convênios para efeito de estimar as despesas. Então, a receita foi frustrada, mas as despesas não. Tudo o que foi programado ali tem de ser executado”, lembrou Gomes.

O atraso de salários é a face mais aguda da crise.  Mas desde o ano passado, os municípios são obrigados a reprogramar investimentos, adiar obras de pavimentação e construção de escolas, engavetar projetos, suspender licitações, reduzir pessoal. As medidas acabam interferindo na qualidade dos serviços oferecidos à população e a repercussão negativa inundando as redes sociais. Nas cidades com melhor acesso à internet, grupos de moradores se organizam para retratar os problemas dos bairros e ruas em que moram. As postagem geralmente são acompanhadas de comentários ácidos de internautas questionando a capacidade administrativa do prefeito da cidade em que moram.

Isso talvez explique por que 37,8% dos eleitores, na média nacional, avaliam como negativa a atuação dos prefeitos (27,3% no caso dos governadores), segundo a última pesquisa feita pelo Instituto MDA para a Confederação Nacional do Transporte . “Quando uma obra é suspensa porque o dinheiro do governo federal não veio, quem leva a culpa é o prefeito”, justifica Ivan Júnior, de Assu.

A saída apontada pelos prefeitos para evitar o caos administrativo nos municípios é um novo pacto federativo. A distribuição do bolo tributário hoje é feita da seguinte maneira: a União fica com 60% do que é arrecadado, os 27 estados com 24% e os 5.562 municípios com 16%. 

Na Câmara dos Deputados foi aprovado no final de junho o relatório preliminar da comissão especial sobre o pacto federativo com cinco propostas de emenda à Constituição e sete projetos de lei para alterar a partilha de recursos entre União, estados e municípios. O documento de 58 páginas traz mudanças que reduzem o percentual de recursos destinados à União para ampliar a distribuição de tributos entre estados e municípios.

Uma das emendas aumenta o repasse de impostos federais (Imposto sobre Produtos Industrializados [IPI] e Imposto de Renda) ao Fundo de Participação dos Estados (FPE) de 21,5% para 22,5%, com elevação de meio ponto em 2016 e o mesmo percentual em 2017. 

Outra propõe aumentar de 10% para 12% a parcela do IPI repassada aos estados e ao Distrito Federal, proporcionalmente às exportações de cada ente. A proposta também reduz o teto que cada estado pode receber da parcela do IPI de 20% para 10%. As alterações podem gerar uma receita anual de cerca de R$ 60 bilhões a mais para estados e municípios. 

Na próxima semana, os prefeitos de todo o Brasil montam acampamento em Brasília. Uma delegação de 50 prefeitos vai representar o RN no lançamento da Mobilização Municipalista Permanente na Praça dos Três Poderes, no dia 5 de agosto.

segunda-feira, agosto 03, 2015

Dirceu montou esquema na Petrobras enquanto era ministro, diz MPF


Ministério Público Federal e a Polícia Federal afirmaram nesta segunda-feira (3) que o ex-ministro José Dirceu, preso na 17ª fase da Operação Lava Jato, participou da instituição do esquema de corrupção da Petrobras quando ainda estava na chefia da Casa Civil, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
O ex-ministro "repetiu o esquema do mensalão", disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima em entrevista em Curitiba. "Não é à toa que o ministro do Supremo disse que o DNA é o mesmo. Nós temos o DNA, realmente, de compra de apoio parlamentar – pelo Banco do Brasil, no caso do mensalão, como na Petrobras, no caso da Lava Jato."
Segundo ele, Dirceu foi “instituidor e beneficiário do esquema da Petrobras”, mesmo durante e após o julgamento do mensalão.
"José Dirceu recebia valores nesse esquema criminoso enquanto investigado no mensalão e enquanto foi preso. Seu irmão fazia o papel de ir até as empresas para pedir esses valores." O procurador afirmou que esta foi uma das razões que motivaram o novo pedido de prisão para Dirceu, que já cumpria prisão domiciliar por condenação no mensalão.
O irmão do ex-ministro, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, foi um dos oito presos na 17ª fase da Lava Jato (veja a lista completa de presos mais abaixo). Ele era sócio de Dirceu na JD Consultoria, empresa suspeita de receber R$ 39 milhões por serviços que não foram feitos.
Segundo as investigações, o grupo de Dirceu recebia propina por meio da JD por contratos na estatal. O grupo também teria recebido valores ilícitos em espécie de prestadores de serviços da Petrobras – as empresas Hope (recursos humanos) e Personal (serviços de limpeza).
José Dirceu é preso pela PF na Operação Lava Jato (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)José Dirceu é preso pela PF na 17ª fase da Operação Lava Jato (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
Segundo o relato de um dos delatores da Lava Jato, o lobista Milton Pascowitch, em propinas dessas duas empresas o grupo de Dirceu ganhava entre R$ 500 mil e R$ 800 mil mensais.
Roberto Podval, advogado que representa Dirceu, afirmou mais cedo que primeiro vai entender as razões que levaram à prisão para depois se posicionar. Anteriormente, a defesa já havia negado a participação do ex-ministro no esquema de corrupção investigado.
Ao Jornal Hoje (veja abaixo), a Hope declarou, em nota, que sempre colaborou e continuará colaborando com as autoridades. A empresa "tem certeza de que, ao final das apurações, tudo será esclarecido". A Personal Service disse que vai aguardar novas informações para entender o que está acontecendo.
Como começou o esquema
Investigações mostram que Dirceu indicou Renato Duque para a diretoria de Serviços da Petrobras e, a partir disso, organizou o esquema de pagamento de propinas.
"Temos claro que José Dirceu era aquele que tinha como responsabilidade definir os cargos na administração Luiz Inácio [Lula da Silva]", disse o procurador (assista ao vídeo abaixo). O nome de Duque teria sido sugerido pelo lobista Fernando Moura, também preso nesta segunda.
Nesta fase da Lava Jato, os investigadores focam irregularidades em contratos com empresas terceirizadas. "São empresas prestadoras de serviços terceirizadas da Petrobras contratadas pela diretoria de Serviços que pagavam uma prestação mensal através de Milton Pascowitch [lobista e um dos delatores da Lava Jato] para José Dirceu. Então, é um esquema bastante simples que se repete", afirmou o procurador.
Para o MPF, o ex-ministro enriqueceu dessa forma. "A responsabilidade do José Dirceu é evidentemente, aqui, como beneficiário, de maneira pessoal, não mais de maneira partidária, enriquecendo pessoalmente", disse o procurador.
O juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, escreveu no despacho de prisão de José Dirceu que o ex-ministro "teria insistido" em receber dinheiro de propina em contratos da Petrobras mesmo após ter deixado o governo, em 2005.
17ª fase
Desde as 6h, a PF cumpre 40 mandados judiciais, sendo três de prisão preventiva, cinco de prisão temporária, 26 de busca e apreensão e seis de condução coercitiva, quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento (veja no vídeo o balanço feito pelo delegado da PF Igor Romário de Paula).
O MPF pediu o bloqueio de R$ 20 milhões dos investigados. Cerca de 200 policiais federais participam da ação, que ocorre em São Paulo, noRio de Janeiro e no Distrito Federal.
Esta fase da Lava Jato foi batizada de "Pixuleco", que segundo as investigações era o termo que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto usava para falar sobre propina.
Foram presos, segundo a PF:
- Prisão preventiva
José Dirceu de Oliveira e Silva, ex-ministro da Casa Civil
Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura, lobista
Celso Araripe, gerente da Petrobras
- Prisão temporária
Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão de José Dirceu
Roberto Marques, ex-assessor de Dirceu
Júlio Cesar dos Santos
Olavo Hourneaux de Moura Filho
Pablo Alejandro Kipersmit
As prisões ocorreram em Brasília, São Paulo, Ribeirão Preto (SP) e Rio de Janeiro. Todos os detidos, com exceção de José Dirceu e Celso Araripe, vão sair de São Paulo, com destino a Curitiba, em um voo de carreira. Araripe irá do Rio de Janeiro para Curitiba em um voo comercial, de acordo com a Polícia Federal. Dirceu ainda aguarda autorização para ser transferido.
Editora investigada
Um dos investigados nesta fase é um jornalista da Editora 247. Segundo despacho do juiz Sergio Moro, Leonardo Attuch é suspeito de receber dinheiro por serviços não executados. Segundo o delator Milton Pascovitch, o ex-tesoureiro do PT teria articulado o repasse de R$ 120 mil para oficializar o "apoio" do partido ao blog do jornalista.
O MPF chegou a pleitear algumas medidas contra o jornalista, mas Moro negou. O juiz destacou, em sua decisão, que ainda são necessários maiores esclarecimentos sobre o caso.
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu é preso em casa em Brasília como parte da 17ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Pixuleco. O irmão dele Luiz Eduardo de Oliveira e Silva também foi preso, em Ribeirão Preto (SP), e há outros mandados de prisão (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu é levado pela PF (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
Prisões e transferências
Dirceu foi detido em casa, em Brasília, onde cumpria prisão domiciliar, desde novembro do ano passado, por condenação no mensalão. Na ação penal sobre a compra de apoio parlamentar, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) o condenaram a 7 anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa. Preso em 2013, ele cumpriu a primeira parte da pena em regime fechado, em Brasília.
Se for condenado novamente, o ex-ministro não terá direito a benefícios para réus primários.
O novo mandado contra Dirceu é de prisão preventiva, ou seja, por tempo indeterminado. A defesa dele tenta agora reverter a decisão (veja no vídeo abaixo).
Nos últimos meses, após denúncias feitas por delatores, o advogado Roberto Podval já tinha entrado com pedidos de habeas corpus preventivo para evitar a prisão. Todos foram negados.
Segundo a assessoria da Superintendência da PF em Brasília, para onde o ex-ministro foi levado, o plano inicial é que o ex-ministro seja transferido para Curitiba ainda nesta segunda.
Mas pode haver atraso, porque a transferência deve ser informada à Vara de Execuções Penais do DF e também autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF, responsável pela execução das penas do mensalão. O ministro deve tomar a decisão ainda nesta segunda.
Enquanto não houver a autorização, Dirceu ficará em uma cela na Superintendência da PF emBrasília, que mede 6 metros quadrados, possui banheiro e chuveiro simples. Ainda de acordo com a polícia, nesta manhã foram apreendidos documento e mídias na casa dele.
Detalhes sobre a 17ª fase
No vídeo abaixo, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima comenta as denúncias feitas em delação premiada e as provas que embasaram os pedidos de prisão.
A seguir, o procurador fala sobre o pedido de bloqueio de valores.
No vídeo abaixo, a colunista Cristiana Lôbo comenta as prisões: "É mais um constrangimento para o PT".

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