domingo, dezembro 02, 2012

Henrique reclama que Rosalba não confia no PMDB e admite rompimento


JH por Alex Viana
O presidente do PMDB no Rio Grande do Norte, deputado federal Henrique Eduardo Alves, admitiu esta manhã, durante evento do Partido Verde em Natal, que o PMDB considera “insatisfatória” a parceria política com a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) e que a depender do governo, o partido poderá romper com vistas às eleições de 2014.
“No palanque de Dilma o PMDB estará com tranquilidade em 2014, mas no de Rosalba, vai depender do tipo de parceria que ela queira e da contribuição que ela queira do PMDB, que, no momento, não está satisfatória”, afirmou o líder peemedebista ao Jornal de Hoje, após sofrer desprestígio durante os últimos dias, por parte da condução política do governo Rosalba Ciarlini.
Em entrevista há duas semanas, o ministro da Previdência, Garibaldi Filho, e o líder do PMDB na Assembleia Legislativa, deputado Walter Alves, apontaram publicamente Henrique com o porta-voz do PMDB a ser procurado pelo governo para a abertura de uma linha de diálogo com a administração estadual. Entretanto, o governo desprezou o provável futuro presidente da Câmara dos Deputados, sequer o contatando para uma conversa.
Agora, Henrique abre mão de conversar com o governo, devolvendo a Garibaldi a condução, e endurece o verbo contra a administração democrata no Rio Grande do Norte. “Já sou rouco, estou mais rouco ainda de tanto falar. Mas não estou conseguindo ser ouvido, então, deleguei a Garibaldi. Ele vai ser o nosso negociador, articulador de novo. Até porque votou legitimamente na governadora Rosalba”, afirmou o deputado, numa mensagem clara de insatisfação com a gestão Rosalba Ciarlini.
Pela primeira vez, Henrique assumiu a insatisfação do PMDB em relação ao governo democrata. Segundo ele, não se trata de cargos, mas da definição de uma parceria em prol do governo do Rio Grande do Norte. A reclamação em relação ao governo, afirmou o deputado, acontece não apenas no PMDB, mas em toda a base de apoio político.
“Toda a base está reclamando de uma melhor articulação do governo, de uma pareceria mais transparente, mais verdadeira, até de uma mínima boa vontade nessa articulação”, declarou. Segundo Henrique, o PMDB não precisa de cargos para ser o partido que é, “de novo o maior do RN, pela sua militância, pela sua história, pela sua coerência”. Ele assevera: “Nós queremos que o governo seja democrático, seja parceiro, possa ouvir os aliados, e isso não está acontecendo”.
Henrique afirmou que o ministro Garibaldi terá nos próximos dias, ou horas, uma conversa decisiva com a governadora Rosalba Ciarlini. Esta conversa, afirmou, poderá definir os rumos de uma nova parceria entre as duas legendas. “Vou aguardar o que vem dessa conversa. Que tipo de governo que querem continuar a fazer, se é esse centralizador, que não conversa, que não confia, que não delega, ou se é uma coisa diferente, que pode ajudar mais o RN”, contou.
Para o peemedebista, a continuidade da aliança do PMDB com Rosalba “depende de o governo mostrar parceria, que quer contar com apoio dos partidos aliados, confia neles, que quer ideias para melhorar o governo, e não se fechar como está”. Henrique avalia que o governo é “completamente hermético” e conclui: “Não é cargo; é ideia, ouvir críticas, para mudar rumos. E isso se faz democraticamente, com a participação de muitos, de todos, se possível. E isso realmente não está acontecendo. E se continuar assim, vai se agravar muito”.
Conselho político
O deputado Henrique criticou a falta de respeito do governo Rosalba Ciarlini em relação ao Conselho Político, criado no começo deste ano para ajudar a administração do Estado, mas que serviu apenas para agrupar os partidos que ajudaram na eleição da vereadora Claudia Regina (DEM) em Mossoró.
“Sugerimos o Conselho Político lá atrás, para se reunir quinzenalmente, para discutir e avaliar erros, acertos, rumos, estratégias. Nunca se reuniu, nunca sequer foi respeitada a ideia. Como se o Conselho Político pudesse ser alguns poucos que estão decidindo porque acham que é o melhor para o RN. Mas tem outros que pensam que o que está se fazendo não é o melhor para o RN”, disse o parlamentar.
Para ele, o governo Rosalba está se fechando cada vez mais. “Não é participar (de cargos), é discutir ideias, contribuição, propostas e políticas públicas, planejar, e não apenas uma coisa fechada e hermética como está acontecendo, que todo o RN está vendo. E eu sei que a governadora, pela sua formação, pela sua história e pela campanha que fez, é uma pessoa aberta a isso. Mas eu não sei o que está acontecendo que o governo está se fechando cada vez mais”.

Em relação a 2014, o parlamentar disse que não vê problema na reafirmação da aliança entre peemedebistas e democratas no RN. Indagado se o PMDB enfrentará dilema entre ficar nos palanques de Dilma e Rosalba, destacou que não. “Isso aí será resolvido muito antes. Dilma já é nossa candidata a presidente, Michel (Temer, vice-presidente da República) é nosso vice. Essa história não se mistura. Tanto que Garibaldi apoiou Rosalba aqui, e foi escolhido por Dilma um mês depois para ser seu ministro”, relembrou.
Instado a falar se o fato de Garibaldi ser ministro de Dilma e ele presidente da Câmara com apoio da presidente não seria constrangedor apoiar Rosalba no RN, Henrique declarou que “não tem nada a ver uma coisa com a outra”. E concluiu: “Estadual é diferente da questão nacional. Tem apoio nosso – do PMDB – a governador de PSDB, governador de PT, do DEM. Em Salvador o PMDB apoiou o DEM. Não foi o fim do mundo, mas uma decisão em benefício da cidade, do estado”.

Garibaldi: “Se for convidado por Rosalba, irei conversar”
A desatenção da governadora Rosalba Ciarlini para com seus aliados é tão grande que extrapola os limites da racionalidade. Embora o PMDB tenha revelado sua insatisfação há algumas semanas, até agora Rosalba não manteve qualquer contato sobre o tema com as principais lideranças do PMDB.
Indagado esta manhã se iria conversar com a governadora sobre o assunto, o ministro da Previdência, Garibaldi Filho afirmou que sim, porém, desde que seja convidado. “Não sei (se vou conversar com ela hoje). Se eu for convidado irei. Ainda não fui convidado, mas, ser for, eu irei”, declarou o ministro, com a sua paciência de sempre.
Instado a responder que acha da atenção dispensada pelo governo ao PMDB, o ministro preferiu não ser crítico. “Diria a você que antes tarde do que nunca”, afirmou. Para em seguida alertar o que está por vir: “Agora, conversa é conversa. Vai depender dos encaminhamentos”, destacou. E o que espera ouvir da governadora: “Eu espero ouvir boas notícias. Vamos deixar para a conversa”.
Garibaldi afirmou que Rosalba poderá contar com o PMDB em 2014. Neste caso, a aliança com Dilma e sua permanência no Ministério da Previdência não seria problema. Neste caso, o PMDB poderá ter dois palanques no RN: um par a presidente Dilma e outro para o candidato que Rosalba apoiará para presidente da República.

“Poderá porque nós já estivemos (juntos). Eu não considero essa sintonia, que eu acredito até que era muito boa, mas eu não considero condição sine qua non, essa afinidade, que possa vir de lá para cá. Mas nós já tivemos no passado uma aliança que eu diria, heterodoxa. Pode ser. Cada vez está se cobrando mais que tenhamos essa coerência. Mas isso não é. Às vezes os interesses dos estados prevalecem. A política estadual, se cobra muito coerência, mas não é uma coisa que se possa dizer que está definido. Pode existir uma aliança heterodoxa, como essa”, analisou.

PV afirma independência em relação ao governo estadual
O PV reuniu hoje suas lideranças no Rio Grande do Norte e também o presidente nacional, Luiz Penna, em evento com participação das principais lideranças do PMDB, Garibaldi e Henrique Alves, e do presidente da Assembleia Legislativa, Ricardo Motta. Na oportunidade, o senador Paulo Davim (PV) assumiu a presidência estadual do partido, anunciando a proposta de que o partido irá se reerguer após o desastre da administração municipal e da gestão partidária da prefeita afastada Micarla de Sousa (PV), inclusive se preparando para disputar espaços na eleição de 2014. “Em 2014, o PV vai disputar espaço pra valer no RN”, afirmou Davim.
No que diz respeito ao campo político, Davim, que foi aliado de primeira hora do governo estadual, afirmou hoje que o PV renasce sob sua custódia com a bandeira da independência política e relação à gestão Rosalba Ciarlini (DEM). “Independência. Eu vou reunir todo diretório para discutir a questão, assumimos uma posição clara. Vamos discutir com todos. Vamos discutir a aliança com o DEM no colegiado”, afirmou.
Na Assembleia Legislativa, o PV tem apenas um deputado, Gilson Moura. Na Câmara de Natal, são três vereadores a partir de 2013, Edivan Martins, Aquino Neto e Luiz Almir. Frente ao governo futuro de Carlos Eduardo, Davim também anuncia independência. “Postura sempre de independência, sem esquecer nosso compromisso em relação ao RN”, declarou.
Sobre o futuro do PV, Davim afirmou que passa pela renovação, planejamento estratégico e interiorização. “Vamos trazer o partido para as bandeiras históricas, os princípios básicos da legenda, expandir a sigla, interiorizar, criando polos regionais e um fórum itinerante para discutir os problemas nacionais e regionais de cada região”.
Sobre a gestão Micarla, Davim afirmou que o PV tem uma dívida com a sociedade. “Não vamos discutir sobre isso, não é elegante, nem pretendemos fazer parte do linchamento público. Teremos uma posição proativa, estamos preocupados com o PV. Daqui para frente, temos muitos problemas a resolver. Temos uma dívida com a sociedade e queremos sanar essa dívida da gestão, da credibilidade, dar à sociedade a resposta que ela precisa ter. Sobretudo sobre questões ambientais, saneamento, revitalização de lagoas, mananciais, desertificação e proteção da mata atlântica”.

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